Museu do Amanhã deverá receber LEED ouro

Matéria publicada pelo Portal AECweb, em 03.2016

museu-do-amanha$$11650

Inaugurado em dezembro de 2015 no Píer Mauá, região portuária do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã está prestes a conquistar a categoria ouro do LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), concedida pelo U.S. Green Building Council (USGBC).

“O museu já nasceu com a vocação de ser sustentável. Desde as fases iniciais de projeto, o objetivo sempre foi conquistar a certificação ambiental”, afirma a arquiteta Danielle Garcia, sócia da Casa do Futuro, responsável pela consultoria de sustentabilidade no Museu do Amanhã.

Essa preocupação com a questão ambiental é extremamente coerente com a proposta do novo espaço cultural brasileiro, disposto a discutir, por meio de exposições e atividades educacionais, questões como “De onde viemos? Quem somos? Onde estamos? Para onde estamos indo? E como queremos viver juntos durante os próximos 50 anos?”.

Concebido pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o edifício teve sua construção incluída no conjunto de obras da prefeitura carioca realizadas pelo consórcio Porto Novo, através da maior Parceria Público-Privada (PPP) do país. “Como a construção foi concluída recentemente, agora estamos no período de compilar toda a documentação da obra, para que a certificação ocorra no primeiro semestre de 2016”, comenta Garcia, destacando que o Museu do Amanhã tem como vizinhos outros prédios certificados. “Localizada na frente do museu, a praça Mauá é cercada de edifícios que têm selos de sustentabilidade, como o Museu de Arte do Rio (MAR) que é LEED prata”, completa.

DESAFIOS E INOVAÇÕES CONSTRUTIVAS

Por se tratar de projeto complexo que congrega diversas soluções sustentáveis, o maior obstáculo foi integrar a equipe multidisciplinar. “Cada sistema foi projetado por um profissional diferente, e unificar esse time foi desafiador. Quando o projeto não é bem gerenciado, fica impossível fazer todos os especialistas se entenderem. Ainda mais em uma edificação com tantas formas onde não só a arquitetura é muito arrojada, como também se faz necessário o uso de alta tecnologia”, diz Garcia.

Entre as novidades sustentáveis especificadas para o Museu do Amanhã, duas merecem destaque: a captação da energia solar por meio de painéis fotovoltaicos instalados em estruturas que se movem de acordo com a trajetória do sol e o uso das água da Baía de Guanabara como trocador de calor no sistema de ar-condicionado.

Segundo a arquiteta, o sistema de movimentação das placas fotovoltaicas é novo e não existia no Brasil, por isso uma empresa portuguesa foi contratada para realizar a instalação. “As lamelas ficam sempre em posição perpendicular ao sol, para que seja maximizada toda a captação de energia. Esse movimento é totalmente automatizado e chama bastante a atenção dos frequentadores do Museu do Amanhã”, diz.

O aproveitamento da água da Baía de Guanabara no resfriamento do sistema de ar-condicionado através do processo de hidrotermia também é novidade em território nacional. As águas retiradas do mar recebem o calor do ar-condicionado e são devolvidas em seguida à baía. Todo o procedimento é realizado sem qualquer agressão à natureza.

A hidrotermia dispensou torres de arrefecimento no sistema de climatização do museu, resultando em economia de até 4 mil litros de água por hora. A estimativa é que, com todas as soluções sustentáveis, a edificação economize, por ano, cerca de 9,6 milhões de litros de água e 2,4 gigawatt/hora (GWh) de energia elétrica, o que seria suficiente para abastecer quase 600 residências. “O Museu do Amanhã não chega a ser autossuficiente, mas reduz o consumo de energia em aproximadamente 32% e o de água em 50%. Somente a geração fotovoltaica supre até 9% da eletricidade consumida”, destaca Garcia, lembrando que a sustentabilidade está presente em outros pontos da edificação.

MATERIAIS

Com os recursos utilizados em sua construção, o edifício diminuiu significativamente o impacto causado ao meio ambiente. Na cadeia de suprimentos, foram aproveitados materiais reciclados e produtos extraídos do local, manufaturados e transportados de forma sustentável.

“Também foi possível destinar 85% dos resíduos da obra para a reciclagem”, informa a arquiteta. Outra iniciativa foi o reaproveitamento de sobras das estacas das fundações para a construção dos barracões da obra. “Somente com essa ação foram poupadas toneladas de aço”, completa.

ÁGUA

A economia de água é obtida por meio de equipamentos e acessórios instalados no Museu do Amanhã. Por exemplo: na cobertura fica o sistema de captação de águas pluviais, usadas para fins não potáveis dentro do edifício; as águas cinzas, provenientes dos chuveiros e lavatórios, seguem para a estação de tratamento localizada no subsolo e são reutilizadas no paisagismo e na lavagem de pisos.

AMBIENTE INTERNO

Foi tomado todo o cuidado para que os materiais usados respeitassem os limites seguros de toxinas. Além disso, elaborou-se um plano de limpeza verde que usará somente produtos atóxicos e biodegradáveis.

Alocadas no subsolo do museu, as áreas técnicas merecem atenção. “Para aqueles que apreciam a arquitetura e a engenharia, elas ficaram tão fascinantes quanto as áreas de exposições”, opina Garcia.

ENTORNO

O projeto buscou reduzir os impactos em seu entorno. As preocupações passaram pela redução do aquecimento que o Museu do Amanhã poderia causar em seu microclima; adoção de recursos para redução de enchentes; diminuição da poluição luminosa; e promoção da biodiversidade com a utilização de vegetação nativa adequada ao local.

Erguido em área altamente urbanizada, o museu foi projetado de forma integrada ao transporte público, de maneira a mitigar impactos negativos no trânsito. Assim, os visitantes podem optar por diferentes linhas de ônibus que atendem a região, pelo Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que terá uma estação na praça Mauá, e pela ciclovia da cidade, que estará integrada com a do museu.

** O Museu do Amanhã possui ainda vidros de controle solar, produzidos pela Guardian, saiba mais.