Pesquisadores brasileiros constroem segunda maior câmera no mundo para observação astronômica

A ideia é arrojada: produzir um mapa tridimensional com centenas de milhões de galáxias, compreendendo um quinto de todo o céu do planeta. Para isso, dois telescópios com grande campo de visão serão utilizados. O menor tem espelho de 80 centímetros de diâmetro e uma câmera de 85 megapixels (milhões de pixels) acoplada, já o telescópio principal tem espelho de 2,5 metros de diâmetro, equipado com uma câmera de 1,2 gigapixel (bilhão de pixels), com capacidade de produzir imagens em 59 cores de cada estrela, galáxia, quasar, supernova e objeto do sistema solar observado.

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Observatório Astronômico de Javalambre, na Espanha

Batizada de JPCam, a câmera óptica de 1,2 gigapixel será a segunda maior no mundo para uso em astronomia – a maior em operação tem 1,4 gigapixel e está instalada no telescópio Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System (Pan-STARRS), da University of Hawaii.

A empreitada acontece no Observatório Astronômico de Javalambre (OAJ), na região de Aragão, na Espanha, que fará um mapeamento do Universo observável a partir do hemisfério Norte, com duração de quatro anos.

Tanto a JPCam como a câmera de 85 megapixels estão sendo construídas com a participação de pesquisadores brasileiros no âmbito do Projeto Temático “O Universo em 3D: astrofísica com grandes levantamentos de galáxias”, apoiado pela FAPESP.

Os pesquisadores brasileiros são responsáveis pela parte mecânica da câmera, incluindo um dispositivo que controlará a entrada de luz e as bandejas de filtros de imagem de 14 detectores. O subsistema óptico do instrumento será construído por uma empresa inglesa contratada pela colaboração astronômica, que tem a participação de universidades e instituições de pesquisa do Brasil e da Espanha.