Única mulher da equipe de Niemeyer é responsável pelos vitrais da catedral de Brasília

A franco-brasileira Marianne Peretti, de 87 anos, era a única mulher da equipe do arquiteto Oscar Niemeyer, e são justamente dela os vitrais da Catedral de Brasília, um dos marcos da cidade.

Interior da Catedral de Brasília (à esq.) e Marianne planejando vitrais do local (à dir.) (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera e Jarbas Jr) - via G1

Interior da Catedral de Brasília (à esq.) e Marianne planejando vitrais do local (à dir.) (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal/Breno Laprovítera e Jarbas Jr) – via G1

Marianne Peretti nasceu em Paris mas já com um pé no Brasil: a mãe francesa era casada com o pai pernambucano. Assim, ela se mudou para São Paulo em 1953 após se casar com um inglês que trabalhava na capital paulista já ambientada com o país onde escolheria morar.

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Vitrais da Catedral de Brasília

O trabalho de Marianne Peretti com vitrais e obras em escalas monumentais aconteceu por acaso. “Eu pintava. Teve uma hora que deixei a arte de lado, mas não vi que não dava. Eu tinha uma filha quando me separei. Para nos sustentar, fazia vitrines de joias da H. Stern de São Paulo. Tinha que montar tudo direitinho, harmonizar as peças e criar. Logo comecei a fazer as vitrines para toda a rede. Trabalhei durante oito anos com isso. Mudei de emprego depois, criava estandes para exposições. Foi aí que comecei a ter contato com coisas grandes. Eu amei.”

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Da esquerda para a direita: Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Max (Foto: Marianne Peretti/Arquivo Pessoal) – Via G1

Salvador Dalí – Antes de morar no Brasil, Marianne expôs, em 52, na Place Vendôme, na capital francesa, onde morava na época. Amigo dos donos da galeria, o pintor surrealista espanhol Salvador Dalí marcou presença na abertura. “Tive o prazer de ter ele lá. Era amigo dos donos da galeria e me falou: ‘Você não é uma burguesa’. Fiquei extasiada de felicidade.”

Além dos vitrais da Catedral de Brasília, Marianne também criou os da Câmara dos Deputados, do Panteão da Pátria, do Superior Tribunal de Justiça, do Palácio do Jaburu e do Memorial JK. Ela também fez o mural do Museu do Carnaval, no Rio de Janeiro, e esculturas e vitrais em Recife, Belém do Pará e Paris.

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Carta de Oscar Niemeyer escrita à mão em que elogia Marianne e a compara com artistas da Renascença (Foto: Marianne Peretti/ Arquivo Pessoal) – Via G1

(Com G1)