Lina Bo Bardi

E suas obras modernistas que integraram natureza e construção

por:

VIDRO CERTO

A arquitetura do vidro pelas
mãos de Lina bo bardi

Tempo de leitura: 5 minutos

Achilina di Enrico Bo, mais conhecida como Lina Bo Bardi nasceu em 1914 na cidade de Roma. Vinda de uma família com poucos recursos financeiros, ela se forma pelo Liceo Artistico de Roma como arquiteta durante a década de 1930. Logo após a graduação, Lina se muda para o norte da Itália, onde trabalha como arquiteta e colabora para algumas revistas de arquitetura. Em 1946, Lina casa-se com o jornalista Pietro Maria Bardi e, logo após, o casal parte para o Rio de Janeiro, onde conhece a vanguarda das artes brasileiras, que terão grande influência na sua vida.

Em 1951, Lina se naturaliza brasileira e no mesmo ano realiza seu primeiro projeto arquitetônico: a Casa de Vidro, no bairro do Morumbi, em São Paulo. Esse projeto é hoje sede do Instituto Bardi.

Em 1958, Lina vai para Salvador convidada para dirigir o Museu de Arte Moderna da Bahia e é quando projeta o restauro do Solar da União.

Em 1966, de volta a São Paulo, Lina retoma o projeto do Museu de Arte Moderna de São Paulo, que foi inaugurado dois anos depois e é até hoje um dos símbolos da cidade.

Em 1982, Lina inaugurou o SESC Pompéia, também em São Paulo e até a sua morte, em 1992, a arquiteta se dedicou a projetos que promoveram o restauro da arquitetura brasileira enquanto o país se redemocratizava.

Para melhor integrar a natureza aos seus trabalhos, Lina usou e abusou do vidro em suas fachadas para integrar o interior ao exterior dos seus projetos, como vamos ver mais à frente.

O prêmio Leão de Ouro

A Bienal de Veneza é uma exposição internacional de arte que a cada dois anos, organiza exposições multidisciplinares em diversos setores: arquitetura, artes visuais, cinema, dança, música e teatro.

A cada edição, a exposição distribui alguns prêmios, sendo a maior homenagem, o Leão de Ouro.

Este ano, Lina Bo Bardi foi homenageada com o Leão de Ouro in memoriam pelo conjunto de sua obra. O curador da Bienal de Veneza de 2021, Hashim Sarkis, recomendou o prêmio à arquiteta ítalo-brasileira se deu porque “se há alguém que encarne perfeitamente o tema da Bienal de Arquitetura de 2021, essa pessoa é Lina Bo Bardi. Sua carreira como designer, editora, curadora e ativista nos lembra o papel do arquiteto como convocador e, mais importante, como construtor do coletivo de visões. Lina Bo Bardi exemplifica também a perseverança do arquiteto em tempos difíceis sejam guerras, lutas políticas, imigração e também sua habilidade para permanecer criativa, generosa e otimista.” (Tradução livre do discurso de Hashim Sarkis)

A casa de vidro

Inicialmente construída para ser residencial, o nome da casa se deu justamente por ser uma casa com uma grande fachada de vidro que chama a atenção de quem passa pelo local.

A intenção do projeto da casa foi de respeitar as características do terreno, pois ele é marcado por uma extensa área de Mata Atlântica. E justamente as misturas estruturais entre transparência e opacidade são características que ligam a parte interior ao exterior, permitindo uma vasta visão do mundo externo.

Dizem até que o casal gostava de ver o nascer e o por do sol, além das chuvas e da lua pelos famosos vidros da casa.

A Casa de Vidro é um patrimônio tombado pelo Condephaat desde 1987, enquanto Lina ainda era viva. Hoje, a casa é sede do Instituto Bardi, que se dedica a preservar e divulgar a obra do casal Lina Bo e Pietro Maria Bardi, além de produzir e promover exposições, palestras, pesquisas, publicações e todo um diálogo acerca da arquitetura, urbanismo e design.

O MASP

O Museu de Arte de São Paulo (MASP) tem sua história completamente permeada pela história do casal Bardi: fundado em 1947 por Assis Chateaubriand, teve seu primeiro diretor Pietro Maria Bardi e Lina Bo Bardi foi escolhida para desenvolver o projeto arquitetônico e expográfico.

O terreno do MASP foi doado por Joaquim Eugênio de Lima, idealizador e construtor da Avenida Paulista, mas a condição para a doação foi de que a vista para o centro fosse preservada.

Pensando na condição do doador, Lina trouxe uma solução inusitada para a construção da nova sede do MASP: uma construção suspensa e subterrânea com concreto e uma extensa fachada de vidro traria leveza e inovação tão características do trabalho de Lina.

O projeto conta com a fachada de vidro no corpo suspenso que abriga hoje o acervo do museu e exposições temporárias, permitindo uma integração do visitante à toda a vista da Avenida Paulista e do centro da cidade; além de contar com uma fachada de vidro no restaurante do museu e ainda contava (e hoje conta novamente!) com cavaletes de concreto e vidro, trazendo elementos estruturais para dentro do museu e interagindo diretamente com as obras expostas.

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VIDRO CERTO

Referências:

Casa de Vidro
https://bit.ly/3dUf0wy

CasaCor
https://bit.ly/3sVlTlz

Centro Cultural
https://bit.ly/3nnZHPP

LA BIENNALE DI VENEZIA

https://bit.ly/3aHFQpD

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